MP acompanha caso de mais de 100 pessoas que deixaram casa de acolhida e passaram a noite em posto na BR

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acompanha o caso de mais de 100 pessoas que deixaram uma casa de acolhida em Santa Rita, na Grande João Pessoa. Parte do grupo passou a noite em um posto de combustíveis às margens da BR-230.

A saída ocorreu em 22 de outubro de 2026. Segundo a Polícia Militar, as condições oferecidas no local motivaram a decisão; uma agressão física também foi registrada na instituição.

Em 23 de outubro, o promotor de Justiça Francisco Lianza se reuniu com a Secretaria de Assistência Social e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Santa Rita. O caso envolve pessoas encaminhadas para locais de origem na Paraíba, em Pernambuco e em Sergipe.

casa de acolhida em Santa Rita

O MPPB aguarda um relatório da Secretaria de Assistência Social para definir os próximos passos da apuração. Relatos de familiares e informações sobre a permanência de parte do grupo também integram o caso.

MP aguarda relatório e acompanha encaminhamento das pessoas

Uma nota do Ministério Público da Paraíba informou que 24 das cerca de 170 pessoas atendidas continuavam na instituição. Elas ficaram sob responsabilidade da prefeitura até que parentes ou responsáveis fossem localizados.

Na manhã de 23 de outubro, cerca de 10 pessoas ainda estavam no posto de combustíveis às margens da BR-230. A informação se refere ao grupo que passou a noite no local após deixar a casa de acolhida.



O relatório em elaboração pela Secretaria de Assistência Social deverá detalhar o andamento do caso para orientar as próximas medidas da promotoria. O documento é a etapa aguardada pelo órgão na apuração sobre a situação das pessoas acolhidas em Santa Rita.

Condições da casa, agressão e relatos de familiares

Segundo a Polícia Militar, as informações levantadas indicaram que os internos decidiram sair por causa das condições oferecidas na casa de acolhida em Santa Rita, mas os problemas não foram detalhados. Após contato com o responsável pelo espaço, alguns aceitaram voltar, enquanto outros pediram que familiares fossem buscá-los.

A saída também ocorreu após uma agressão física no local. De acordo com a TV Cabo Branco, o episódio começou durante uma discussão que envolveu uma pessoa que foi buscar um familiar; a pessoa agredida registrou boletim de ocorrência.

Uma mãe que viajou cerca de 10 horas de Itabaiana, em Sergipe, para encontrar o filho disse que enviava R$ 1.500 por mês à instituição, além de roupas e chinelo. Ela relatou que o encontrou descalço, com fome e sede, e afirmou que não foi avisada pelos responsáveis sobre a saída do grupo. Segundo a mulher, as chamadas de vídeo com a família ocorriam a cada 15 dias, mas a ligação prevista naquela semana foi adiada sob a justificativa de um retiro espiritual e problemas de internet.

O proprietário da granja, Dorgivan de Castro, contou que soube do caso por meio da pessoa que registrou o boletim de ocorrência; quando chegou ao imóvel, parte dos internos e a liderança responsável já haviam saído. Ele afirmou que foi procurado por Gláucio Amaral para alugar o espaço e instalar uma filial de uma casa de recuperação que funcionava em Goiana, Pernambuco. Dorgivan disse que pretende encerrar o contrato de aluguel e localizar as famílias para que as pessoas possam voltar para casa.



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